
UNE x Meirelles: 8 mil estudantes exigem mudanças na política econômica06/07/07
Passeata leva milhares de estudantes às ruas de Brasília para pedir a demissão do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e cobrar do governo a implantação de uma nova agenda econômica para o país Juscelino Kubitschek construiu Brasília para ser um lugar do futuro. Oscar Niemeyer doou seus traços para que a cidade ganhasse curvas e beleza. Este cenário, centro político do país, onde os três poderes discutem e decidem seus rumos, tornou-se também símbolo da juventude, na figura de Honestinos, Renatos Russos e caras pintadas. Nesta sexta (6), a mesma juventude escreveu uma nova página na história da capital federal. E não foram poucos os jovens que fizeram parte deste capítulo. Mais de 8 mil deles coloriram, com bandeiras, faixas e rostos pintados, a sobriedade da monumental Esplanada dos Ministérios, protestando contra a política econômica do governo. Por volta das 15h, a área em frente ao Museu Honestino Guimarães começou a ser ocupada pelos estudantes. Nos gritos e palavras de ordem, o “Fora Henrique Meirelles!”. A passeata, que fez parte das atividades do 50º Congresso e reuniu lideranças políticas e dos movimentos sociais, levantou a bandeira pela demissão imediata do presidente do Banco Central. Para o presidente da UNE, Gustavo Petta, as transformações que vão colocar o país nos rumos do desenvolvimento passam necessariamente por mudanças na política econômica. “O Meirelles representa a área mais ortodoxa da economia e descomprometida com os investimentos sociais. Sua permanência significa a manutenção das altas taxas de juros, o superávit primário e a conservação das benesses aos banqueiros e patrões do capital. Vamos intensificar as pressões para pedir a sua cabeça”, disse. Representando a CUT, Antonio Carlos Spis perguntou se, no país, os banqueiros reclamam de alguma coisa. “Claro que não”, respondeu. “O Meirelles é funcionário deles. A sua política econômica não tem nenhum comprometimento com o desenvolvimento na forma de distribuição de renda, justiça social e geração de emprego”, completou. Marcha, papel picado e Fora Meirelles! Em frente ao BC, dezenas de policiais protegiam a portaria enquanto os estudantes gritavam “Fora Meirelles!” e funcionários da instituição, numa ação espontânea, saudavam a manifestação jogando papéis picados pelas janelas. Balões de tinta verde e amarela foram arremessados na porta do Banco, simbolizando as cores da bandeira brasileira. O CUCA aproveitou a oportunidade para fazer uma intervenção bem humorada. O Coordenador do Circuito, Luis Parras, se vestiu de general e tocou fogo numa caixa preta onde estava escrito: Arquivos da Ditadura. O protesto teve a intenção de chamar a atenção da sociedade para a campanha da UNE pela abertura dos arquivos da ditadura, numa referência à resistência das forças armadas e o estranho sumiço e queima de documentos nos últimos anos. Rafael Minoro |