Eleições

UEE-SP abre Congresso com críticas ao neoliberalismo na educação


03/06/07

Encontro acontece em Serra Negra, interior de São Paulo. Mesa de abertura reuniu o deputado Aldo Rebelo; o presidente da UNE, Gustavo Petta; e o ex-deputado Plínio de Arruda Sampaio

A aconchegante cidade turística de Serra Negra, localizada a pouco mais de 150 km da capital São Paulo, ganhou uma nova cara neste fim de semana. Caravanas vindas de diversas regiões –Osasco, Guarulhos, Campinas, Ribeirão Preto, São Jose do Rio Preto, Mogi da Cruzes e muitas outras– trouxeram mais mil de jovens na bagagem e transformaram o pequeno e frio município no interior paulistano em sede do 8 Congresso da União Estadual dos Estudantes, a UEE-SP.

Depois de devidamente alojados em hotéis, os estudantes se dirigiram ao charmoso Centro de Convenções do Circuito das Águas. Na mesa de abertura, lideranças políticas e sociais, além de ex-presidentes da UEE, deram início ao maior encontro estudantil universitário do estado e celebraram os 58 anos da entidade. O Congresso vai eleger o presidente e a nova diretoria para os próximos dois anos.

No sábado (2), o prefeito de Serra Negra, Paulo Roberto, abriu a mesa saudando todos os estudante. Ele destacou a reunião da juventude paulista como um marco para o município e colocou a cidade à disposição da UEE.

Depois, o deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP), deu início às primeiras falas. Ele pontuou que o Brasil vive momento singular e importante, marcado por limitações que impedem um avanço maior no alcance um país de fato com mais direitos para o povo.

Aldo frisou que é necessário, neste momento, os "estudantes terem uma consciência avançada" para buscar um futuro mais promissor. "Que este Congresso construa também formas de vencer os desafios para que o Brasil possa continuar trilhando os caminhos de uma nação cada vez mais consolidada", disse.

Ele falou também sobre os desafios de integrar a América do Sul. "Somos um continente marcado por forças políticas e econômicas externas muito fortes", declarou.

Aldo condenou a campanha desencadeada contra o presidente Hugo Chávez, em decorrência da não renovação da concessão pública à RCTV, rede que patrocinou as articulações para a tentativa de golpe contra o seu governo em 2002. "A liberdade de imprensa é essencial para a democracia, mas a democracia também tem que saber se defender", avaliou.

O deputado ainda criticou alguns parlamentares e os "coronéis das redações", que agora endossam o discurso contra a medida do presidente venezuelano. "Por que esses parlamentares, que fazem campanha contra Chávez no Congresso Nacional, em nome da democracia, não condenaram o golpe de 2002, articulado e apoiado pela mídia venezuelana", protestou.

"Por que vocês estão agitados?"
O ex-deputado Plínio de Arruda Sampaio (Psol-SP) começou sua intervenção com um questionamento: "Por quê vocês estão agitados?", perguntou, numa referência à série de protestos, ocupações e greves ocorridas nos últimos dias em todo o país. "Porque o neoliberalismo tem um projeto para a universidade e porque somos contra essas mudanças que o capital quer implantar na educação brasileira", respondeu.

Plínio aumentou o tom de suas críticas ao neoliberalismo dizendo que os universitários hoje não possuem mais "raciocínios abstratos concretos". Para ele, os estudantes estão sendo formados pela alienação. "É uma luta do homem contra o capital. Vivemos um processo de reversão colonial. O mercado apenas quer formar reserva de trabalho intelectual, mão de obra barata, reversível, de fácil substituição", avaliou.

Sobre o que deve ser feito, foi enfático: "Não tem jeito de reformar o capitalismo. Só existe um jeito. Temos que extingui-lo e colocar em seu lugar o socialismo".

UNE e UEE na luta pela educação
O presidente da UNE, Gustavo Petta, reforçou os discursos pela integração latino-americana e contra o projeto neoliberal para a educação brasileira. Ele destacou a mudança ocorrida no continente, que há cerca de 10 anos vivia rodeado de governos que apontavam na direção de Washington.

Petta destacou ainda a luta da UNE contra a política imperialista norte-americana,tendo sido protagonista nas manifestações contra a visita de Bush ao Brasil. Ele convocou os estudantes a pressionar o governo para garantir mais verbas para a educação, mudanças na política econômica e um olhar mais atento para os investimentos em ciência e tecnologia: "Não tem como pensar em uma superação do capitalismo, se não há investimento em produção do conhecimento. Isso é fundamental para implementarmos o projeto de nação que queremos para o país", destacou.

Petta parabenizou a UEE pelos seus 58 anos e relembrou que a UNE também fará aniversário em 2007: a entidade vai completar 70 anos de vida no próximo dia 11 de agosto. Ele falou sobre a retomada do terreno na Praia do Flamengo, destacando a presença da UEE num dos momentos mais importantes e emblemáticos para o movimento estudantil nos últimos anos.

O presidente da UNE, por fim, anunciou que na próxima quarta-feira (6), em solidariedade a todos os movimentos que estão ocorrendo no país, a entidade fará um "Dia Nacional de Protestos e Mobilizações nas Universidades Públicas".

"Entre as diversas reivindicações, queremos a implantação imediata de um Plano Nacional de Assistência Estudantil, que garanta aos estudantes de baixa renda a sua permanência na universidade. Vamos protestar em diversas universidades para chamar a atenção da sociedade sobre este problema", convocou.

Também participaram do ato de abertura o presidente da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (UPES), Thiago Andrade; o representante do MR8, Miguel Manso, e um membro da direção da CUT.

Plenária Final
O 8º Congresso se encerra amanhã com a realização da plenária final que aprovará as bandeiras de luta que a entidade defenderá nos próximos dois anos e a sua nova direção. Na noite deste sábado haverá shows com Gafieira São Paulo, com Talma de Freitas; e o Teatro Mágico com Silvério Pessoa.


Rafael Minoro
De Serra Negra (SP)

Realização, UNE