Eleições

Todos pela democratização dos meios de comunicação


06/07/07

Jornalistas e estudantes criticaram monopólio da imprensa brasileira e cobraram novo modelo popular e democrático para a comunicação social

O último processo eleitoral no Brasil, em 2006, deixou claro que a estrutura da imprensa no país precisa de uma reformulação. O jornalista Raimundo Pereira(foto), que denunciou na revista Carta Capital o complô midiático do segundo turno nas eleições, esteve nesta sexta (6), no 50º Congresso. Ele participou da mesa “Democratização dos meios de comunicação”, junto com Altamiro Borges do portal Vermelho, Carlos Lopes do jornal Hora do Povo e Bráulio Ribeiro do coletivo Intervozes.

Raimundo Pereira, que hoje é editor da revista Reportagem, disse que o problema essencial da imprensa brasileira é o monopólio de alguns setores da sociedade sobre os meios de comunicação: “São algumas poucas famílias que controlam uma grande quantidade de informação”, ressaltou.

A imprensa popular e democrática, com participação da sociedade, é uma questão antiga em debate na América Latina. Recentemente, a não renovação da concessão da RCTV venezuelana reacendeu a discussão. “A imprensa brasileira não garante as informações necessárias para entender o caso venezuelano, condenando a decisão de Hugo Chávez. Não há como comparar. O Brasil não é a Venezuela”, disse Altamiro Borges.

Segundo ele, o poder dos grandes grupos da comunicação no continente é muito forte: “Nós, que defendemos mais democracia na imprensa não podemos perder tempo brigando uns com os outros, nossa tarefa é muito difícil”, disse. O editor da revista Reportagem concordou, dizendo que o governo precisa ser pressionado por mudanças:

“O governo Lula é contraditório, acerta em algumas áreas e erra em outras. No caso da democratização da comunicação, é hora dos movimentos sociais participarem dos debates sobre a TV Digital, a rede pública nacional, e outros que o governo já levantou”, declarou.

Artênius Daniel

Realização, UNE