Eleições

Mais fortalecida, UNE aprova jornada de lutas


09/07/07

As arquibancadas do ginásio Nilson Nelson, tradicional palco de disputas esportivas na capital federal, foi tomada neste sábado pela energia e o colorido do movimento estudantil durante a plenária final do 50º Congresso

A plenária final do Congresso da UNE é o momento em que todos os participantes do encontro votam as propostas consensuais e divergentes elaboradas pelo conjunto dos estudantes a partir dos debates, seminários e grupos de discussão realizados durante os primeiros dias do encontro.

São documentos respaldados pelos delegados e observadores do Congresso, que vão nortear as ações da UNE para os próximos dois anos nas áreas de educação; movimento estudantil; meio ambiente; políticas públicas para a juventude; GLBTT; saúde; reforma política; inclusão digital; direitos humanos e comunicação; além de discutir a conjuntura nacional e internacional.

Jornada de lutas
Entre as resoluções aprovadas, os presentes foram convocados a construir a Jornada Nacional de Lutas, programada para o mês de Agosto. O objetivo é realizar atos, passeatas e protestos em conjunto com outros movimentos sociais para comemorar os 70 anos da UNE (que serão completados no dia 11/08) e exigir um Programa Nacional de Assistência Estudantil.

Política
Na votação sobre a política nacional, os estudantes afirmaram a continuidade da pressão que deve ser exercida sobre o governo Lula; reforçaram o pedido de demissão imediata do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, reivindicando mudanças na política econômica, com o fim do aperto fiscal e juros altos.

Movimento Estudantil
Depois de um amplo debate, a plenária aprovou a autonomia e independência da UNE frente ao governo Lula, a defesa de greves de estudantes e ocupações de reitorias como forma de protesto e a ampla liberdade de organização estudantil.

Durante a plenária também ficou decidido, por maioria de votos, que a UNE assume o compromisso de realizar, a cada dois anos, o seu Conselho Nacional de Entidades de Base (Coneb). Com isso, fica garantido que toda a gestão vai realizar o encontro, possibilitando o diálogo mais estreito com as entidades que compõem a rede do movimento estudantil, aumentando a capacidade de mobilização, comunicação e organização desta rede dos estudantes, por meio de suas entidades de base.

Na luta por um mundo melhor, o meio ambiente será pautado com mais força na próxima gestão. Debates e seminários sobre tema devem ser realizados para que a UNE possa acumular conhecimento e dividir opiniões com outras entidades, organizações e frentes de defesa do biodiversidade nacional.

Reforma Universitária
Os estudantes vão intensificar as pressão junto ao Congresso Nacional para que o projeto da reforma seja desengavetado e votado o mais rápido possível. A UNE quer que a proposta volte à pauta do dia dos parlamentares para garantir que ainda este ano a educação privada, por exmplo, possa contar com novas forma de regulametação.

Os estudantes decidiram também dar continuidade às frentes de "caça aos tubarões do ensino", numa referência aos donos das universidades particulares que são denunciados por irregularidades como o abuso no aumento das mensalidades.

América Latina
Sobre a conjuntura internaiconal, a maioria votou por uma proposta que defende a soberania nacional e apoio à intensificação do processo de integração dos povos da América Latina.

Outras frentes
Ficou ainda decido que a luta pelo passe livre estudantil será mantida. A obrigatoriedade do ensino de Filosofia e Sociologia na educação básica será uma bandeira de destaque na próxima gestão. Além disso, as lutas contra a evasão escolar e a implementação imediata de um Programa Nacional de Assistência Estudantil e pela autonomia universitária continuarão em pauta.

O tema meio ambiente, debatido durante este Congresso e já presente na história da entidade - haja vista a campanha "A Amazônia é do Brasil" - vai ganhar destaque na próxima gestão e será baseada na defesa da maior floresta tropical do planeta.

Em relação às políticas públicas para a juventude, a UNE vai manter a postura contrária a redução da maioridade penal e contra a exploração de estagiários como mão de obra barata.

De acordo com as votações, a diretoria GLBTT vai instaurar o "1º Encontro de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais e reeditar o projeto "Universidade Fora do Armário".

A saúde também entrou em pauta. Ficou decidido que a UNE fará uma cartilha sobre o SUS, confeccionada pela entidade e exigirá passe livre para pacientes de baixa renda em tratamento.

Na tentativa de ampliar os direitos humanos e evitar mortes de jovens por execução, foi aprovada a revogação da Lei de Crimes Hediondos e a utilização de veículo conhecidos como "caveirão". O pedido de abertura dos arquivos da ditadura e punição dos envolvidos em crime de tortura foi mantido.

A diretoria de inclusão digital vai continuar defendendo a utilização do software livre e da licença Creative Commons. Para garantir a democratização da comunicação, a UNE vai apoiar na próxima gestão a criação de um sistema nacional de TV e rádio digital e se manterá ao lado dos meios de comunicação alternativos.

Ainda foram aprovadas moções de apoio como a que reitera a luta dos estudantes da Universidade Pública de Pernambuco, que está cobrando mensalidade dos alunos. Os presentes também foram convocados para a jornada de lutas de Agosto.

Baixe as propostas e resoluções:

- Propostas consensuais

- Resolução Jornada de Lutas

- Resolução sobre Movimento Estudantil

- Resolução sobre Educação

- Resolução sobre Conjuntura

- Resolução CONEB


Da redação

Realização, UNE