
Ex-presidentes da UNE anistiados no 50º Congresso06/07/07
Aldo Arantes e Jean Marc van der Weid foram julgados pela Comissão de Anistia em uma sessão especial e inédita ocorrida dentro da UnB A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça realizou, pela primeira vez desde que foi criada, uma sessão fora das dependências do ministério. Foi no 50º Congresso da UNE, ontem pela manhã, no auditório 17 do ICC da UnB. Com o lugar completamente lotado, a comissão julgou os casos de dois ex-presidentes da UNE: Aldo Arantes (1961/63) e Jean Marc van der Weid (1969/71). Os dois foram declarados anistiados pela comissão e receberão os benefícios que teriam direito hoje, caso não tivessem sido afastados de suas funções em decorrência dos problemas que tiveram com a ditadura. As decisões foram tomadas em unanimidade pelos conselheiros da comissão. “A realização desta reunião é um indicador do nível de democracia que o país atingiu, com o reconhecimento do estado brasileiro pelos crimes praticados na ditadura. A UNE proporcionou um marco histórico com este julgamento em seu Congresso”, avaliou Aldo Arantes. Segundo ele, conceder esta anistia fora das salas do Ministério da Justiça é também uma demonstração de transparência do regime democrático. Jean Marc destacou que historicamente foi um ato emocionante. “A sociedade brasileira tem que comemorar, porque isso é mais um passo na consolidação democrática do nosso país”. Ele no entanto deve recorrer da decisão sobre o valor do salário definido pela Comissão, pois disse não concorda com os cálculos feito pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), órgão em qual trabalhava. Estudantes, familiares dos militantes e algumas presenças ilustres, como o ex-guerrilheiro, Zezinho do Araguaia e o ex-presidente da UNE, José Luiz Guedes, acompanharam os trabalhos com atenção. O presidente da Comissão, Paulo Abraão, reafirmou a importância desta proximidade com a população. Ele contou que quando aceitou a proposta da audiência ser feita no Congresso da UNE, muitas “vozes” foram contrárias à idéia, mas o ministro Tarso Genro apoiou a iniciativa. “O ministro determinou que nós pudéssemos agregar à comissão de anistia um papel pedagógico, afinal de contas essa história toda não pode ser esquecida e as novas gerações têm a responsabilidade de manter as conquistas democráticas das gerações anteriores.”, afirmou. Rafael Minoro |