
Estudantes debatem futuro da universidade brasileira05/07/07
As mesas simultâneas aconteceram ontem (5) e reuniram especialistas da área para discutir ações para a democratização do acesso e políticas de permanência Quinta-feira foi dia de muito debate nos corredores do Instituto Central de Ciências da UnB. Dois deles colocaram em xeque o atual modelo das instituições de ensino superior no Brasil. Simultaneamente, os debates “Universidades pagas: regulamentação e PL da UNE” e “Mudanças na universidade pública” reuniram a advogada da Ouvidoria da UNE, Lia Carneiro; a secretária geral da Contee, Cristina de Castro; o presidente da Andifes; Arquimedes Ciloni; o coordenador geral da Fasubra, João Paulo Ribeiro; a 1ª secretária do Andes, Maria do Céu Lima; a coordenadora das Instituições de Ensino Superior IES/MEC, Maria Ieda Diniz; e o reitor da UnB Timothy Molholland. Abrindo os debates, Timothy se referiu ao atual modelo de universidade como elitista. Para ele os dois eixos que devem mobilizar as ações pela mudança neste sistema são “inclusão e expansão”. Todos foram categóricos em afirmar que o modelo acadêmico brasileiro é fruto da abertura do setor para o mercado externo na década de 90. O alvo das críticas foi a mercantilização da educação gerada pela entrada de capital estrangeiro. “Houve uma expansão desenfreada, descontrolada e desqualificada e a culpa é do ex-ministro da educação, Paulo Renato”, disse Cristina de Castro da Contee. O presidente da Andifes reiterou a fala do reitor e afirmou que, “o governo anterior soltou as travas do ensino superior privado. Hoje, de 10 jovens na faixa etária de 18 a 24 anos, apenas 2 estão em instituições públicas”. Diante deste quadro, João Paulo Ribeiro da Fasubra foi taxativo. “Se quisermos uma verdadeira mudança, gradativamente devemos extinguir as instituições particulares e substituí-las por públicas”. Já Maria do Céu propôs uma reflexão. “É preciso avaliar os projetos de expansão da universidade para que esta realmente atenda as necessidades dos jovens”. Para Maria Ieda Diniz, do MEC, o debate deve pensar novas formas de incluir jovens no ensino superior, priorizando a qualidade e valorizando o tripé ensino, pesquisa e extensão. Sobre o PL da UNE, que regulamenta o ensino superior privado, os debatedores ressaltaram a importância dos estudantes intensificarem a pressão por sua aprovação no Congresso. Lia disse que o projeto avança em diversas questões, principalmente na proteção do inadimplente. Na opinião da advogada, as denúncias recebidas pela Ouvidoria só evidenciam o descaso das instituições particulares. “Recebemos cerca de 20 denúncias por dia. Este dado mostra que o ensino superior hoje no Brasil se transformou em um negócio rentável”, finalizou.
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