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Entrevista com o presidente reeleito da UEE-SP
06/06/07
Augusto Chagas, estudante de Ciências da Computação da Unesp foi reeleito e estará a frente da entidade pelos próximos dois anos
A União Estadual dos Estudantes (UEE-SP) encerrou no último fim de semana o seu 8º Congresso. O encontro que reuniu cerca de 1.200 estudantes de todo o estado, em Serra Negra, interior paulista, reelegeu o estudante de ciências da computação da Unesp, Augusto Chagas.
Em entrevista exclusiva ao EstudanteNet, Augusto disse que a entidade dará continuidade a projetos que tem sido vitoriosos como a consolidação da Ouvidoria do Estudante e do trabalho cultural da UEE-SP, como as bienais de cultura.
Para a nova gestão, o estudante de ciências da computação aposta em novos desafios. "Queremos ampliar a rede do movimento estudantil paulista: temos a meta de consolidar pelo menos 100 fortes DCEs no Estado e uma rede de 500 Centros e Diretórios Acadêmicos. Vamos elevar as críticas ao Governo Serra que tem desenvolvido uma política desastrosa para as universidades estaduais e, principalmente, queremos que a UEE-SP seja uma pedra no sapato dos empresários da educação!".
Em conversa com a reportagem, Augusto fez um balanço do Congresso que o reelegeu, comentou o lançamento da revista em comemoração aos 58 anos da entidade, explicou os planos para a nova gestão e reforçou que a luta por uma educação pública, de qualidade e pela regulamentação do ensino superior privado serão as principais bandeiras da entidade. Leia abaixo a íntegra da entrevista.
Qual o balanço que você faz sobre o 8º Congresso da UEE-SP?
Penso que o 8º Congresso da UEE-SP foi um sucesso. Primeiro pela sua estrutura que garantiu que o estudante fosse bem recebido em Serra Negra. Segundo pela nossa programação, que foi muito qualificada: todos os debates aconteceram, contamos com a presença de uma série de autoridades, entidades e intelectuais, fizemos um grande ato de abertura e lançamos uma revista sobre os 58 anos que a UEE-SP comemora em 2007 que contou com a presença de uma série de ex-presidentes e militantes da UEE-SP. Mas principalmente, penso que nosso congresso foi vitorioso pela sua representatividade. Não havia, sequer, um grande corredor universitário de São Paulo que não estivesse representado.Tivemos a presença de todas as grandes instituições e isto é muito importante pois demonstra a força e prestígio da UEE-SP e principalmente faz com que uma série de novas lideranças voltem para as suas universidades mais convencidos a militar no movimento estudantil.
Qual a importância do lançamento desta revista dos 58 anos?
Lançar a revista foi muito importante. Na realidade, ela é o resultado de uma parceria que fizemos com o Centro de Estudos e Memórias da Juventude – CEMJ -. Penso que tenha sido bacana porque a história da UEE era muito apagada. A gente escuta muita história sobre a UNE e se esquece de que em todos estes capítulos que aconteceram em São Paulo era a UEE-SP que estava ali, na luta também. A revista lembra que o movimento estudantil paulista tem muita tradição, que daqui surgiram muitas lideranças importantes e que foi daqui, inclusive, que a gente após reconstruir a UEE-SP reconstruiu a UNE em plena ditadura! Mas o mais simbólico é que a gente viveu um tempo no Brasil em que tentaram apagar a nossa história. Temos que, neste momento de maior democracia no nosso país, a todo momento dizer que a nossa história ninguém conseguiu nem conseguirá apagar. E o projeto cumpre este papel inclusive.
A sua reeleição dá continuidade ao processo realizado pela UEE-SP de fortalecimento do movimento estudantil no estado com a criação de CA's DA's e DCEs. Qual será o ponto forte desta nova gestão?
A reeleição deve ser encarada de duas formas: de um lado continuar as coisas boas que temos feito. Os projetos que tem sido vitoriosos como a consolidação da Ouvidoria do Estudante, consolidar o trabalho cultural da UEE-SP com a realização da 4ª. Bienal. Mas por outro lado, temos que saber que cada gestão tem uma cara, faz parte de um momento. Por isso, precisamos de novos desafios. E saímos do congresso de espírito renovado e cheio de novas idéias! Queremos ampliar a rede do movimento estudantil paulista: temos a meta de consolidar pelo menos 100 fortes DCEs no Estado e uma rede de 500 Centros e Diretórios Acadêmicos. Vamos elevar as críticas ao Governo Serra que tem desenvolvido uma política desastrosa para as universidades estaduais, e principalmente, queremos que a UEE-SP seja uma pedra no sapato dos empresários da educação! Educação não é negócio para empresário, é um direito da juventude!
Temos que dizer para os estudantes que não somos nós que estamos errados em reivindicar, e sim a legislação: inadimplência não é crime; não é possível que tenhamos que aceitar os reajustes de mensalidades todos os anos; as taxas que são cobradas para todo o tipo de serviço nas secretarias das faculdades. De um lado, vamos pressionar o Governo Federal para que mude a legislação e também não vamos nos acomodar: temos razão e autoridade para reivindicar de todas as formas que os abusos sejam cessados. Vamos fazer piquete, manifestação, atos, debates, ocupações, o que for possível e necessário. Já temos um calendário marcado, inclusive, para a semana do Estudante. Vamos realizar uma semana de protestos por todo o estado para demonstrar nossa força e apresentar nossas pautas.
Um dos principais debates deste Congresso se deu em relação a crise das universidades públicas com as ondas de ocupações e greves. O objetivo é estender essa luta para as universidades particulares?
Com toda a certeza! A legislação brasileira hoje protege o empresário. Ela ainda é herança da época de FHC. Diante desta situação temos dois possíveis caminhos: um seria se acomodar, aceitar a situação e ter uma postura de conciliação. A outra, que escolhemos, é a de fazer do movimento estudantil um instrumento para transformar isto. A situação nos dá razão para radicalizar nas ações contra os tubarões do ensino. É isto que vamos fazer! Lançamos durante o congresso uma revista de diagnóstico do ensino superior privado no Brasil. Lá a gente denuncia toda a arbitrariedade que tem sido cometida, a máquina de lucro que são essas instituições e sua baixa qualidade. Ela é quase um manual para os CAs, DCEs e para os nossos diretores para que qualifiquem nossa opinião.
A estrutura do Congresso foi muito elogiada, devido ao alojamento em hotéis. Você considera esse fato um amadurecimento do movimento estudantil?
Claro! O movimento estudantil precisa se modernizar. As pessoas às vezes têm uma visão romântica e fazem um discurso de que os estudantes não ligam pra determinados "luxos" porque o objetivo deles é maior. Não deixa de ser parcialmente verdade, porque nós sabemos que a situação das entidades não é fácil, falta grana e é tudo construído por estudantes. E se precisar todo mundo dorme no chão mesmo, não tenho dúvida disto. Mas é inegável que com uma estrutura melhor, a gente consegue que a turma se concentre no que é mais importante que são os debates.
Nosso congresso recebeu todos bem, todo mundo ficou bem alojado, o transporte funcionou legal, a alimentação também foi elogiada. Acho que foi bacana porque tem muitos estudantes que tem seu primeiro contato com a UNE e a UEE-SP no nosso congresso e desta vez eles encontraram uma atividade bem organizada o que reforça a seriedade das entidades estudantis.
Como a UEE-SP está se preparando para o 50º Congresso da UNE?
Com muita disposição. Saímos muito animados de Serra Negra e agora somos todos "unistas"! Vamos com sede para sermos a maior bancada do Brasil presente no 50º. Congresso. E a UNE vive um momento muito bacana, muito especial. A comemoração dos 70 anos, a histórica retomada da sede do Flamengo, o novo método de eleição de delegados, tudo isto faz do 50º, um Congresso histórico. E São Paulo estará lá para ajudar e fazer da UNE uma entidade ainda maior, mais representativa, democrática e respeitada. A UNE é hoje a voz do estudante brasileiro e isto é muito importante para contribuir na história do Brasil.
Danielle Franco
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