|
|
Entrevista com a nova presidente da União Catarinense dos Estudantes
08/05/07
Clarissa Peixoto, 23 anos, foi eleita no congresso da entidade realizado no último fim de semana; EstudanteNet conversou com a estudante da Unisul
Após 10 anos uma mulher volta a ocupar o cargo mais representativo da União Catarinense dos Estudantes (UCE). O EstudanteNet conversou com a aluna de cinema da Unisul, Clarissa Peixoto, 23 anos, eleita no último congresso da entidade, realizado dias 5 e 6 de maio, na Universidade do Planalto Catarinense (Uniplac).
O Congresso foi convocado para alterar o estatuto da entidade e ajustá-lo ao novo Código Civil. O encontro contou com a presença de centenas de estudantes, delegados e observadores, sendo 417 delegados credenciados, representando acadêmicos das principais universidades do estado. Destes, 286 delegados compareceram a Lages. Houve a inscrição de apenas uma chapa para a nova diretoria.
A nova diretoria da UCE foi eleita com 253 votos, houve seis abstenções e 27 delegados deixaram de votar. Os delegados aprovaram ainda a ampliação da diretoria executiva, que de sete integrantes passou a ser composta por onze.
Além disso, Congresso se foi palco de debates sobre a conjuntura estadual e nacional, o movimento estudantil e tratou também dos desafios para a educação superior.
Entrevista exclusiva
Clarissa, que também é formada em jornalismo, participou do DCE da Unisul e assume a presidência da UCE no lugar do estudante de direito do CESUSC, Tiago Andrino. Ele agora ocupará uma das cadeiras no Conselho Estadual de Educação (CEE).
O expressivo número de votos que ela teve ?253, de 286 possíveis? mostra a força com que chega à presidência e também a responsabilidade que terá daqui para frente. Ela fez uma avaliação do novo processo eleitoral da UCE, semelhante ao regimento estabelecido para o 50º Congresso da UNE. O critério consiste em eleições dos estudantes-delegados por Universidade, ao contrário da antiga fórmula, que escolhia os representantes com direito a voto por curso.
Além dessa questão, a jovem fez um balanço do encontro, falou das lutas que pretende a UCE pretende levar adiante e defendeu um trabalho conjunto com a UNE.
Abaixo, confira a entrevista exclusiva com a nova presidente:
Conte um pouco da sua trajetória no movimento estudantil.
Entrei para o movimento estudantil em 2003, no Centro Acadêmico de Comunicação Social (CACOS) da Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL), campus Tubarão. De lá para cá, participei de duas gestões do CA (2003/2004 e 2004/2005), nesta última fui presidenta da entidade. Desde 2004, participo das campanhas de DCE. Em 2005 ganhamos a eleição e sofremos um golpe, o que nos impediu de assumir. Em 2006 ganhamos a eleição e eu fui Diretora de Cultura.
Após 10 anos uma mulher volta à presidência da UCE. Qual a importância que você dá para este fato?
As mulheres têm jogado papel importante na vida política de nosso país e a nossa luta por igualdade tem tomado, a cada dia, maiores proporções. Nada mais justo que avançarmos dentro dos movimentos sociais e ampliarmos o debate político acerca da questão da mulher nas entidades de massa, como a União Catarinense de Estudantes. No bojo deste debate, também se abre espaço para discutir a diversidade cultural, impressa nas questões de gênero e etnia, o que certamente deve nortear parte da pauta de lutas da entidade
Qual a sua avaliação sobre este Congresso?
Foi um Congresso positivo sob diversos aspectos. Em primeira instância, por ter reunido um grande número de estudantes, representantes de todas as regiões do Estado. O Conuce Estatutário promoveu uma grande overdose de debates, elencando os principais temas referentes ao movimento estudantil e as bandeiras que devem ser levantadas, nos próximos dois anos, pela União Catarinsense de Estudantes. Destaco a luta pelos Art. 170 e 171 e contra a mercantilização do ensino, e pela aprovação da Reforma Universitária. Mas não menos importantes foram os posicionamentos frente às questões de gênero, etnia e políticas públicas nas áreas da cultura e comunicação. Além, é claro, da aprovação de eleições diretas por universidade. No entanto, a grande vitória dos estudantes catarinenses pode ser sintetizada na unidade de todas as forças na composição da chapa eleita, denominada "Por uma UCE do tamanho de Santa Catarina", o que demonstra a legitimidade da gestão composta para o biênio 2007/2009.
O novo formato do Congresso envolveu mais estudantes, foi mais participativo? Como você enxerga esses para a eleição de delgados por universidade?É, sem dúvida, um formato mais eficiente, sobretudo, por priorizar o debate dentro das universidades. Em outras palavras, leva a discussão para dentro das salas de aula, permite maior acúmulo dos delegados sobre os temas que serão pautas e imprime uma dinâmica mais efetiva na construção dos Congressos. Esse método, já utilizado pela UNE neste processo que deve culminar em Brasília, nos dias 04 a 07 de julho, pode-se assim dizer, reflete o avanço no movimento estudantil em Santa Catarina.
Entre as maiores polêmicas levantadas pelo Conuce, a modificação do formato de tiragem de delegados, que passa a ser realizado através de diretas por universidade, é, sem dúvida a aprovação mais significativa na nova estrutura estatutária da UCE. Também é importante destacar que este Congresso aprovou a ampliação do número de membros da executiva da entidade de nove para 11, permitindo a participação de mais estudantes dentro dos fóruns de decisão da entidade.
Quais serão as primeiras medidas da sua gestão à frente da UCE?
Além de travar as principais lutas referentes ao movimento estudantil catarinense, como a democratização do sistema ACAFE [Associação Catarinense das Fundações Educacionais], a ampliação dos Art. 170 e 171 e o debate da Reforma Universitária, bem como as desencadeadas pelos movimentos sociais. A principal tarefa da UCE, neste momento, é levar uma grande bancada para o Congresso da UNE, participar de todos os fóruns de discussão, construir a pauta do CONUNE e unir forças, no intuito de enfrentar as grandes batalhas no âmbito da luta política nacional.
Como o trabalho desenvolvido na UCE pretende se somar à UNE?
A UCE deve ser o braço da UNE no Estado, compondo o quadro de entidades pela luta dos estudantes, por qualidade de ensino, por uma política econômica que condiga com a realidade do país, contra a mercantilização da educação, e pela soberania do Estado brasileiro.
Da Redação
|