
Documentário sobre Honestino será lançado no 50º Congresso26/06/07
Filme sobre a história do ex-líder estudantil perseguido e preso pela ditadura será lançado durante o Congresso da UNE, em Brasília Honestino Guimarães incomodava a ditadura. No final dos anos 60, uma invasão cinematográfica dos militares à Universidade de Brasília (UnB) somente para prendê-lo ainda tem muitas histórias desconhecidas. Mas o jovem que presidiu a União Nacional dos Estudantes no momento mais difícil de sua história optou pela resistência sem recorrer às armas. A UNE aproveita a comemoração de seus 70 anos para fazer uma homenagem justa e devida a Honestino, que esteve à frente da entidade de 1969 a 1973, ano em que foi preso no Rio de Janeiro e nunca mais visto. "Tudo sobre Honestino Guimarães é muito difícil de ser encontrado, não existem registros oficiais sobre o que aconteceu com ele. Ao mesmo tempo, era um personagem muito falado pela ditadura no período anterior à sua prisão", conta Paula Damasceno, estudante e diretora do filme que conta a história do último presidente da UNE antes da sua reconstrução. O documentário será lançado durante o 50º Congresso da UNE, em uma solenidade na Universidade de Brasília, a mesma em que Honestino ingressou com o primeiro lugar no vestibular para Geologia e onde se destacou como líder estudantil. Estarão presentes parentes e amigos do estudante, autoridades e ex-dirigentes da UNE. "Vamos fazer uma grande homenagem a esse que é um herói nacional e, talvez, seja o principal herói da UNE, um símbolo, uma referência para qualquer militante do movimento estudantil brasileiro", ressalta o presidente da UNE, Gustavo Petta. Filme "A retomada do terreno dos estudantes na Praia do Flamengo e os 70 anos da entidade nos fizeram concluir que essa era a hora de contar a trajetória de Honestino. Começamos a produção e a UNE nos incentivou para que lançássemos o filme durante o Congresso, na cidade de Honestino, com a presença de seus familiares", explica o diretor do Instituto CUCA, Luis Parras. Parras, que também assina a direção de arte do filme, diz que a produção realizou pesquisas, visitas e entrevista em São Paulo, Rio e Brasília, na expectativa de juntar informações sobre o ex-líder estudantil: "Conversamos com seus familiares, sua esposa, amigos, foi um processo de investigação. Às vezes uma pessoa dava uma dica que levava a outra e assim recolhemos o material", descreve. Paula ressalta que esse processo foi mais "afetivo do que objetivo", devido à ausência de fatos seqüenciais no caso Honestino Guimarães. "Quando tivemos a idéia do filme, conversávamos sobre a importância da abertura dos arquivos da ditadura. Muita coisa está escondida, foi perdida ou destruída", revela. Mesmo assim, a produção do documentário teve acesso a informações inéditas, como os dados levantados nos arquivos do Dops, em São Paulo e as correspondências entre o reitor da UnB e o governo militar, nas quais Honestino é frequentemente citado. Paula diz que o filme se orientou por um dos eixos principais do Instituto CUCA, o resgate da memória social. "As ações do CUCA precisam dialogar com a sociedade através da história, por isso esse filme é tão importante para nós", justifica. Honestino: história de vida, história de luta Líder desde os tempos de colégio no interior de Goiás, sonhava em ser presidente da República. Em brincadeiras de rua, chegou a nomear os dois irmãos ministros da Aeronáutica e da Marinha. Gostava de bolar estratégias, coordenar reuniões e promover mini-comícios. O tempo transformou-o em um ativista. O sonho de mudar o mundo coincidiu com a vinda para Brasília, em 1960. Em meados daquela década, Honestino projetou-se como um dos personagens políticos mais importantes da capital. Alcançou a presidência da Federação dos Estudantes da Universidade de Brasília (FEUB) e, em seguida, comandou a União Nacional dos Estudantes (UNE). Foi preso pela primeira vez em 1968, em uma operação dos militares na Universidade de Brasília. Foi obrigado a deixar cidade, mudando-se para o Rio de Janeiro, onde viveu na ilegalidade. Mesmo com toda a repressão ao movimento estudantil e qualquer outra manifestação, Honestino se manteve firme na presidência da UNE. Foi preso em 10 de outubro de 1973 e nunca mais foi visto. Em 1996, sua família recebeu o certificado de sua morte, sem causas apontadas.
|