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Abertura: Movimentos sociais mostram força e unidade


05/07/07

Aos poucos, o Centro Comunitário da UnB foi sendo tomado pelas delegações de estudantes vindos de todos os estados do Brasil. Mesmo após horas e dias de viagens, a disposição dos jovens ficou clara quando as palavras e gritos de ordem começaram a se misturar aos sotaques nordestino, gaúcho, mineiro, carioca e muitos outros.

Para dar início ao maior encontro organizado da juventude brasileira, representantes de diversas organizações e movimentos sociais compuseram uma ampla e democrática mesa de abertura.

A fala de todas as lideranças se encontraram quando o assunto foi a pressão que a partir do segundo semestre será deflagrada em cima do governo federal. O objetivo é garantir e exigir os avanços necessários para que o país possa entrar definitivamente na rota de crescimento, com distribuição de renda e justiça social.

A coordenadora do MST, Mariana Santos, fez críticas à manutenção de uma política neoliberal que beneficia o capital estrangeiro em detrimento das lutas sociais. Na sua opinião, o governo tem enxergado a reforma agrária apenas como “uma compensação social”.

Já o presidente da UBES, Thiago Franco, disse que este Congresso era o melhor momento para se discutir qual a educação os jovens ali presentes querem para o país. “Queremos uma educação que busque acabar com as desigualdades sociais e forme cidadãos conscientes”, respondeu.

O representante da Abong, José Morone, chamou os estudantes para que se integrem na luta da entidade pela construção de um novo modelo de desenvolvimento e políticas sociais. Ele elevou tom das críticas ao dizer que ao fazer o pagamento da dívida externa e juros, o governo apenas transfere recursos nacionais para o mercado financeiro.

A Unegro também estava presente por meio do seu diretor Edson França. Ele destacou as ações da UNE em defesa de políticas de permanência e afirmação dos estudantes negros nas universidades. “É o momento de pressionarmos para democratizarmos o saber e pesquisa no país”, disse.

Bandeira do movimento de moradia, a defesa e legalização das rádios comunitárias foi o destaque da fala do diretor da CONAM, Juscelino França. Ele acredita que os estudantes devem se engajar nesta reivindicação, colocando o tema nos debates de seus fóruns de discussão.

As mulheres foram muito bem representadas na mesa por Kátia Souto, da UBM. Um exemplo que ela deu para mostrar o avanço da luta feministas nas universidades foi a presença maciça das mulheres no Congresso da UNE.

Para encerrar a abertura, um convidado especial: Aldo Arantes, ex-presidente da UNE na gestão 1961/63. O eterno líder estudantil levantou o público ao dizer que a historia de uma país é construída pela mobilização de seu povo. “E os estudantes sempre estiveram e estão mobilizados nos principais momentos de decisão, luta e combate para a conquista de uma nação democrática soberana”.

Lembrando os presos, torturados e mortos pela ditadura, Aldo disse que tudo isso é fruto da indignação da juventude, que não aceita imposições e sempre estará pronta para reagir.


Rafael Minoro


Realização, UNE