
50º Congresso: estudantes elegem a gaúcha Lúcia Stumpf nova presidente da UNE08/07/07
Depois de quatro dias de atividades, o 50º Congresso chega ao fim com ampla participação de todas as forças políticas do movimento estudantil que elegeram uma mulher para a presidência da entidade após 15 anos No congresso que celebrou os 70 anos da UNE, os estudantes brasileiros elegeram, após 15 anos, uma mulher para ser a nova presidente da entidade. Quem assume o cargo no lugar de Gustavo Petta é a gaúcha Lúcia Stumpf, 25 anos. Aluna do 7º período do curso de jornalismo da FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas - SP), Lúcia é natural de Porto Alegre e será a quarta mulher a dirigir a UNE. A última a ocupar o cargo, Patrícia de Angeles, se elegeu em 1991. A plenária final do 50º Congresso foi realizada no ginásio Nilson Nelson, em Brasília, com a presença de mais de 8 mil estudantes de todos os estados do país, entre observadores e delegados (estudantes com direito a voto na eleição), representando 1.880 universidades de todo o país. Do total de votos válidos (2.526), a chapa 11 - “1º de fevereiro”, que tinha Lúcia como candidata, conquistou mais de 65%, contabilizando o apoio de 1.802 estudantes. O nome é uma referência ao mês e dia em que os estudantes retomaram, em 2007, o terreno da sede da UNE a Praia do Flamengo, 132, no Rio de Janeiro. Disputavam outras 10 chapas inscritas, mas que não apresentaram candidato para a presidência. A chapa 10 teve totalizou 279 votos. A chapa 7 conseguiu 232 votos. Já a chapa 9 saiu com 92 votos e a chapa 8 somou 73. As outras chapas juntas fizeram 14 votos. Foram registradosd 33 inválidos. Perfil A estudante se destacou durante todo este período por uma atuação respeitada dentro da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), organização que reúne mais de 300 entidades. Emocionada e se dizendo muito feliz com o resultado da eleição, ela destacou a importância que este encontro teve no fortalecimento da entidade. “A UNE ganhou a consolidação de um Congresso amplo, com a implantação da eleição direta de delegados nas universidades e a participação de todos os campos políticos, colocando em debate a diversidade de opiniões da juventude brasileira. Foi um Congresso de unidade, com a defesa das lutas e reivindicações dos estudantes para o próximo período”, disse. A gestão da nova presidente já terá em agosto uma série de protestos, passeatas e manifestações. A jornada de lutas, aprovada no Congresso, vai comemorar os 70 anos da UNE (que serão completados no dia 11 de agosto) e exigir a criação de um Plano Nacional de Assistência Estudantil. “A prioridade da UNE é lutar pela melhoria das universidades públicas no país, pela regulamentação do ensino privado e pela garantia de políticas que garantam a permanência dos estudos do estudante de baixa renda”, disse. Congresso Na sexta, uma passeata pela Esplanada dos Ministérios terminou com um ato em frente ao Banco Central onde cerca de 8 mil pessoas cobraram mudnças na políticas econômica e pediram a imediata demissão do presidente da instituição, Henrique Meireles. As atividades serviram de base para os estudantes elaborarem as propostas construídas e aprovadas pelo conjunto dos participantes. São documentos respaldados pelos delegados e observadores do Congresso, que vão nortear as ações da UNE para os próximos dois anos nas áreas de educação; movimento estudantil; meio ambiente; políticas públicas para a juventude; GLBTT; saúde; reforma política; inclusão digital; direitos humanos e comunicação; além de discutir a conjuntura nacional e internacional. Para o Secretário-geral, Pedro Campos, o 50º Congresso traz como diferencial a qualificação do debate político e da participação. “O novo processo de eleição dos delegados permitiu que as principais lideranças do movimento estudantil pudessem chegar ao Congresso com mais propriedade. Desta forma, transformaram as Plenárias e grupos de discussão em momentos muito mais ricos de debates e construção política. Nesse sentido, a UNE sai do Congresso com uma capacidade de formação das suas ações e realizações muito mais profunda”, avalia. O atual presidente, Gustavo Petta, também fez um balanço positivo do Congresso e disse que a eleição de Lúcia mostra que os estudantes aprovam a política da UNE, que nos últimos anos se firmou com uma das principais entidades do movimento social brasileiro. “Junto com MST e a CUT, a UNE reafirmou suas reivindicações junto ao conjunto dos movimentos sociais. Participamos da luta contra a corrupção, diversificamos nossa atuação e não restringimos nossas ações às bandeiras mais tradicionais, como educação e política”, enumera.
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