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50º CONUNE: 8 mil estudantes nas ruas contra a política econômica


02/07/07

Manifestação durante o Congresso da UNE, no próximo dia 6, pedirá demissão imediata do presidente do Banco Central. Ato terá participação de todos os movimentos sociais

Não é de hoje que o movimento estudantil brasileiro está insatisfeito com a política econômica do país, mais especificamente com a gestão de Henrique Meirelles na presidência do Banco Central. Desde o último Congresso da UNE, em 2005, esse assunto tem sido tratado nos principais fóruns e encontros dos estudantes. A UNE chegou, inclusive, a lançar a campanha “Fora Meirelles”, em um debate no último mês de dezembro, com a participação economistas, intelectuais e representantes dos movimentos sociais.

Já que as reivindicações não foram alcançadas, a entidade está pronta aumentar o tom das críticas em Brasília, no próximo dia 6 de julho, sexta-feira, quando cerca de 8 mil estudantes sairão em uma manifestação pela Esplanada dos Ministérios. O protesto acontece em meio ao 50º Congresso da UNE, que acontecerá na Universidade de Brasília (UnB), entre os dias 4 e 8.

A concentração será às 14h, no Museu Honestino Guimarães (em frente à catedral de Brasília). De lá, os estudantes marcharão em direção ao Banco Central, onde acontecerá um ato político com a presença de lideranças dos movimentos sociais.

Subindo o tom
Segundo a diretora de Relações Internacionais da UNE, Lúcia Stumpf, a adesão popular será grande, junto com as entidades de moradia, terra e forças sindicais, que prometeram ampla participação.

“Já está mais do que na hora dos estudantes e dos outros movimentos subirem o tom em relação à política econômica do governo federal. Estamos prontos para ir às últimas conseqüências pela retirada de Henrique Meirelles do Banco Central”, avisa.

Política Econômica
Os pontos da atual política econômica que mais incomodam os estudantes são os altos índices da taxa de juros e a atual imposição de superávit fiscal. Segundo Lúcia, as duas medidas prejudicam o desenvolvimento do país em um todo, mas atacam especialmente a educação:

“As taxas de juros impedem o crescimento da economia, o superávit engessa o orçamento e impede investimentos em outros setores. Esses fatores combinados são terríveis para a Educação. O movimento estudantil, historicamente, defende que pelo menos 7% do PIB esteja na Educação, hoje não temos nem 4%”, explica.

50º Congresso questionará PAC
A UNE sempre traz, para seus Congressos, discussões relacionadas ao desenvolvimento nacional e ao futuro do país. Os debates desta edição do Conune terão a presença de especialistas de diversas áreas, autoridades, intelectuais e acadêmicos.

Na quinta-feira (5), a mesa “Alternativas para a construção de um projeto nacional” vai discutir as opiniões acerca dos rumos do desenvolvimento no país. O debate contará com as presenças dos deputados federais, Aldo Rebelo, Ciro Gomes, Ivan Valente e Ricardo Berzoini, além de um representante do MST e do Secretário Geral do MR8, Sérgio Rubens.
O Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) apresentado em janeiro pelo governo federal também está na pauta dos debates. O painel “PAC e Desenvolvimento” acontece na sexta-feira (6), às 9h, antes da manifestação. Participarão representantes dos movimentos sociais, centrais sindicais e autoridades.

No último Conselho Nacional de Entidades Gerais da UNE (CONEG), no Rio de Janeiro, o movimento estudantil questionou a eficácia do PAC com a manutenção das práticas da macro-economia brasileira. Em um documento aprovado em plenária, os estudantes afirmam que o Plano é um sinal positivo, porém “inconciliável com a manutenção da atual política macro-econômica – de juros altos e superávit primário”.


Da Redação


Realização, UNE